domingo, 7 de março de 2010

Vinhos

Estrear na degustação de um bom vinho não é tarefa simples. Mas também está longe de ser a complicação que muita gente pensa.

Existem muitas opções, é verdade, e talvez isso dificulte um pouco a escolha.Mas algumas informações básicas são suficientes para você identificar se aquela garrafa linda vale mesmo cada centavo que estão cobrando por ela.


O acerto é uma questão que combina as variáveis comprar, guardar, servir e saborear na medida ideal.


Parece complicado? Pense na famosa cervejinha: se você é um apreciador, sabe identificar quando a loira é das boas, não sabe?


Com o vinho é basicamente a mesma coisa. Quanto mais você provar, mais irá aprender.


Aqui, montamos um manual básico para você iniciar a prática e não errar na escolha.


1. Em primeiro lugar, apague da memória aquele tabu de que os vinhos mais velhos são os melhores. Nem sempre isso é uma verdade.


A regra é válida para vinhos sofisticados, como Bordeaux, Barolos e Riojas e, mesmo nesse caso, atende um limite de tempo. É recomendável não levar nada que tenha sido produzido há mais de quatro anos, pois só os grandes vinhos sobrevivem há mais tempo e, iniciando no assunto, você nem tem o paladar aguçado para saborear as notas que eles oferecem.


2. Sendo assim, prefira uma garrafa da safra mais recente, principalmente se for um vinho branco. Também examine bem a garrafa antes de comprá-la. O nível do líquido nunca deve estar abaixo do normal, e a rolha deve estar em boas condições.


3. Uma boa tática é observar a garrafa contra uma luz amarela. Se o vinho branco estiver muito dourado e um tinto estiver muito acastanhado, quer dizer que a bebida está sofrendo oxidação. Ou seja, as características visuais, olfativas e gustativas do vinho são alteradas pelo contato com o ar. A cor fica mais escura e a acidez menos acentuada


4. Se você não dispõe de uma adega climatizada para armazenar o vinho, guarde a garrafa em um lugar da casa que seja arejado, de pouca luminosidade e com pouca variação de temperatura.


5. As garrafas devem ser colocadas deitadas, evitando o ressecamento das rolhas, que vedam a entrada na embalagem.


Os vinhos brancos são colocados na parte inferior e os tintos, na superior, pois resistem melhor às temperaturas mais altas.

E nada de exageros: caso não conheça ainda um determinado vinho, leve apenas uma garrafa e, depois de experimentá-lo e aprová-lo, volte para buscar mais.

6. Compre sua bebida em locais que ofereçam uma boa variedade de rótulos e que garantam a rotatividade de estoque. Isso reduzirá as chances de escolher um vinho oxidado.

Prefira fazer a compra nos setores de bebidas dos grandes supermercados, lojas especializadas ou vá direto as importadoras.

Ir até as vinícolas, quando o vinho for brasileiro, traz boa garantia de qualidade na conservação e preço mais acessíveis.


7. Não se impressione com o rótulo dos vinhos caríssimos. Pode apostar nos mais baratos também. Para encontrar aqueles com ótima relação qualidade versus preço, leia com atenção as informações do rótulo.


No caso dos brasileiros, atente para a palavra reserva , que é uma denominação dada a um vinho de qualidade no mínimo mediana.

O bom francês tem a anotação AOC (appellation d origine controlée), um indicador de que foi produzido na região descrita no rótulo de acordo com as regras exigidas por lei.

Nos italianos, a sigla é DOC (denominazione di origine controllata) ou DOCG (denominazione di origine controllata e garantita).


Vinhos de mesa franceses (vin de table) são sofríveis, fuja deles. Em qualquer caso, é recomendável não levar nada que tenha sido produzido há mais de quatro anos.

8. Outro clichê posto abaixo é a velha regra do vinho branco com peixe e os tintos com carnes.


O que conta é harmonização da bebida com a comida. Um prato delicado pede vinho leve, frutado.


Já aqueles que levam molho mais elaborado exigem a companhia de algo mais encorpado. Comidas agridoces combinam com vinho menos seco, enquanto frutos do mar são um convite à bebida mais ácida daí os espumantes secos caírem tão bem com as ostras.


9. Para facilitar a busca da uva ou da mistura de cepas adequada a sua ceia, leia o contra-rótulo das garrafas, que sugere pratos e descreve algumas qualidades marcantes do vinho em questão.


10. As clássicas combinações regionais também contam pontos. Vinhos produzidos num determinado local estão historicamente relacionados aos seus pratos típicos.


Assim, a comida da italiana Toscana é o par perfeito para vinhos Chianti.


E a parrillada argentina faz dupla com um tinto Malbec.


11. Mas os opostos também se atraem. Queijos salgados, como roquefort e gorgonzola, e vinhos doces do tipo late harvest (também chamado de colheita tardia) fazem uma ótima parceria.


Já o adocicado e mais gorduroso ementhal pede um branco ácido, como um sauvignon blanc ou gewurztraminer.


12. Às vezes a regra é válida. Os portugueses costumam dizer que bacalhau não é carne nem peixe, é bacalhau. Então, siga a tradição: vá de tintos com pouca acidez e pouco tanino, como os portugueses da região da Bairrada ou o vinho verde (branco ou tinto).


13. Mas a idéia principal, seja você iniciante ou não, é esquecer a obediência cega às regras: o gosto pessoal é o mais importante. Experimente.


A seguir, você confere um glossário com os principais tipos de uva, suas características e combinações mais comuns.


Mas, como dizem os bons apreciadores da bebida, são apenas sugestões -- e, como tal, podem muito bem ser contrariadas pelo seu paladar.



Uvas para vinhos tintos


Alicante (ou monastrell, mataro, mourvèdre): espanhola, essa uva também é conhecida como Monastrell, em outras regiões da Espanha. Produz bons vinhos, secos e equilibrados, com sabor marcante de frutas vermelhas, como cereja, amora, framboesa. No sul da França, essa mesma uva é conhecida como Mourvèdre. Geralmente é misturada a outras uvas, como shyrah, grenache e cinsault.
Países: França, Espanha e Austrália

Harmonização: carnes, sopas, chouriço e salame.

Queijos amarelos e pães salgados.


Barbera: típica do Piemonte, noroeste da Itália é uma das variedades mais cultivadas do país. Resulta em vinhos leves, ideais para o dia-a-dia do verão e da primavera. Tem exemplares escuros e frutados, com alta acidez.

Países: Itália (Piemonte), Estados Unidos (Califórnia) e Argentina.

Harmonização: massas com molho de tomates frescos, queijos amarelos (gruyére itálico), carnes leves e aves.


Cabernet Franc: originária da região Bordeaux, na França, é mais leve e com menos taninos que a cabernet sauvignon, amadurecendo mais cedo.

É muito usada junto a outras uvas, como a cabernet sauvignon, merlot e petit verdot.Países: França (Bordeuax, Loire), Argentina, Austrália, Estados Unidos (Califórnia) e Nova Zelândia

Harmonização: uma boa opção para sanduíches e refeições rápidas. Vai bem com carnes leves, aves defumadas e sopas.


Cabernet Sauvignon: resultado do cruzamento cabernet franc com a sauvignon blanc, a cabernet sauvignon é considerada a rainha das uvas.


É a mais difundida em todo o mundo e responsável pelos melhores rótulos do planeta. Aparece em grandes vinhos de Bordeaux (Latour, Mouton-Rothshild, Lafite, Latour, Margoux, entre outros). Aposte nos Cabernet Sauvignon com safra acima de 4 anos, pois eles precisam de um tempo de amadurecimento no produtor, a fim de afinar os taninos agressivos, e dar corpo ao vinho. Aí sim aparece o valor da variedade, sua estrutura, seu corpo, seus aromas de cassis e ameixas pretas, tabaco, tons de cacau, baunilha. Enriquece quando misturada à merlot, cabernet franc, shiraz, petit verdot ou malbec.

Na Austrália geralmente é mesclado ao shiraz. Produz os melhores tintos do Brasil e do Chile.Países: França (Bordeaux), Estados Unidos (Califórnia), Chile, Argentina, Austrália, África do Sul, Itália e Brasil.

Harmonização: carnes vermelhas, goulash, strogonoff, souflés de queijo e batatas; carne seca com purê de mandioca.


Carmenère: hoje pode-se dizer que trata-se de uma uva chilena, mas é originária de Bordeaux, na França, e aparece também na Califórnia e na Argentina.

Seus vinhos não devem ter consumo imediato, pois antes de três anos estarão desequilibrados devido à acidez e aos taninos agressivos.

País: ChileHarmonização: carnes vermelhas, feijoada e assados.

Não deve ser utilizada para acompanhar pratos com molho de tomate ou pratos leves e saladas.


Malbec: sua terra hoje é Mendoza, na Argentina.

Embora, seja originária de Bordeaux, onde é muito tânica e usada somente misturada a outras cepas. Garrafas que apresentam safras menores do que três anos abrigam vinhos desequilibrados, com álcool, acidez e taninos acentuados.
Países: França, Argentina e Chile

Harmonização: carnes vermelhas, churrasco, feijoada, e queijos fortes.

Não combina com saladas, defumados, queijo gorgonzola, nem molhos à base de tomates.


Merlot: seu berço de produção é em Bordeaux, na França, mais precisamente em Saint-Emilion, da onde nascem os famosos Chateau Cheval Blanc e Chateau Petrus.

Espalha-se por todo o mundo, com destaque para os produzidos no Chile, Califórnia e Nova Zelândia.

Pode desenvolver aromas de chocolate e frutas vermelhas maduras quando colhidas com a maturação correta.

Países: França (Bordeaux), Norte da Itália, Estados Unidos, Chile, Austrália, Nova Zelândia, Argentina, Brasil.

Harmonização: faz boa dupla com carnes, caças e aves, exceto o frango e queijos amarelos.
Também combinam com carne de porco, batatas, mandioca frita e ervilhas.


Nebbiolo: originária do Piemonte, na Itália, é a mãe dos melhores e mais valorizados tintos italianos: Barolo e o Barbaresco. São bebidas intensas, frutadas, com alta acidez, o que torna obrigatório seu envelhecimento. Esses sim, quanto mais velho, melhor.

Geralmente, espera-se no mínimo quatro anos para abrir uma garrafa

País: ItáliaHarmonização: assados (coelho, javali, vitela) com molhos expressivos (rôti e funghi).Periquita: produz o mais famoso vinho de Portugal, fora o Porto. Leva o mesmo nome de Periquita.País: Portugal

Harmonização: aves e assados de carne suína (pernil e lombinho). Tortas salgadas, de queijo, frango com catupiry, bacalhau ou palmito.


Pinot Noir:

Uva típica da Borgonha, produz os vinhos mais admirados do mundo. Os exemplos mais clássicos são os renomados (e caros) vinhos de Romanée-Conti, Volnay, Clos de Vougeat e outros tantos da Borgonha. A uva também faz parte da receita que compõem os vinhos da Champagne.

Países: França, Califórnia, Chile, Itália, África do Sul. Harmonização: perfeito para aves, caça, vitela, javali e carna suína. Carnes vermelhas bem preparadas e queijos

Sangiovese: é a base dos grandes vinhos da Toscana, boa parte da Úmbria, e Lazio (próximo a Roma), como Chianti, Brunello di Montalcino e Vino Nobilo de Montpulciano.

Países: Itália, Estados Unidos e Argentina

Harmonização: salada de radicce com tomates ao vinagrete de ervas, capeletti in Brodo, ossobuco e risoto Milanês, terrine de pato, fettuccine com almôndegas e molho de tomates ou uma pizza ao molho de tomates.

Syrah/Shiraz: trazida para o Ocidente, criou raízes "modernas" no sul da Borgonha e na Provence (França), onde é conhecida como uva do Rhone, que resulta vinhos de coloração intensa, bem encorpados e aromas de frutas vermelhas. Hoje casta principal dos Côtes-du-Rhône, do famoso Chateauneuf-du-Pape, e dos Côtes-de-Provence. É responsável pelos grandes rótulos da Austrália.

Países: França (Rhône), Austrália, África do Sul e Argentina

Harmonização: carnes, aves e queijos amarelos, fondues, crepes e soufflés.

Tannat: original de Bordeaux (França), hoje é a variedade que reina no Uruguai, altamente tânica e com perfume de amora e framboesa.

Países: Uruguai e França.

Harmonização: pato assado, presunto cru ou cozido, pizza margherita ou calabresa. Costela no bafo ou um prato de frango assado, com polenta e agrião.

Tempranillo: considerada a melhor uva tinta espanhola, cultivada nas regiões de Rioja e Ribeira del Duero. Resulta um vinho colorido, com baixa acidez, pouco tânico e que envelhece bem no carvalho que lhe confere aromas de tabaco.

Países: Espanha, Portugal e Argentina

Harmonização: carnes grelhadas



Uvas para vinhos brancos



Chardonnay: tem origem nas regiões de Champagne e Borgonha (França), mas hoje está espalhada pelo mundo todo por sua facilidade de cultivar e vinificar. É usada na produção de clássicos de alta qualidade e reputação na Borgonha, como Chablis, Montrachet e Poully-Fussé, além de ser um importante ingrediente do champanhe.

Países: França (Borgonha), Estados Unidos (Califórnia), Austrália, Nova Zelândia, Chile, África do Sul, Argentina, Brasil

Harmonização: peixes leves, carne branca, pratos simples e saladas. Ou mesmo acompanhando frutas e queijos num final de tarde de outono.

Chenin Blanc: original do vale do Loire (norte da França), já próximo do Atlântico, responsável pelo famoso Vouvray, dá vinhos secos ou doces

Países: França (Loire), EUA, África do Sul (conhecida como steen), Austrália e Nova Zelândia.

Harmonização: peixes leves, carne branca, pratos simples e saladas, sendo uma boa pedida para fondues de queijo.

Gewürztraminer: famosa uva branca da Alsácia (nordeste França), já na fronteira com a Alemanha. A palavra alemã "gewürz" significa aromático, temperado e "würz" quer dizer tempero, especiarias. Daí a produção de vinho frutado, muito aromático, com sabor complexo.

Países: França (Alsácia), Alemanha, Itália, Chile, África do Sul, Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia.

Harmonização: comida regional da Alemanha e da Alsácia, como um kassler (carré de porco) com repolho roxo maturado, batatas cozidas amanteigadas e purê de maçãs. Queijos brie e camembert, com geléias de pimenta e torradas são outras boas combinações

Muscat (Moscato e Moscatel): usada para vinhos secos na Alsásia e para espumantes italianos do tipo Asti Espumante e Moscato Bianco, esta uva é plantada no mundo todo é própria de vinhos doces perfumados.

Países: França (Alasácia), Portugal, Espanha e Itália

Harmonização: bolos e doces

Pinot Gris: uva da família pinot noir do nordeste e leste da França. No norte da Itália é a Pinot grigio. Produz vinhos brancos leves, jovens e secos na Itália e mais ricos e perfumados, na região francesa da Alsácia.

Países: França (Alsácia), Itália, Alemanha, Hungria e Nova Zelândia

Harmonização: acompanha bem saladas e pratos leves, queijo de cabra e bruschetta.

Prosecco: encontrada na região de Vêneto, na Itália, resulta em espumantes frescos, frutados, com pouco acidez.

Países: Itália, Brasil

Harmonização: com canapés, saladas, mousses salgadas e salmão fresco ou defumado e comida japonesa.

Riesling: considerada a melhor uva branca do mundo ao lado da chardonnay. Original do vale do Reno, na Alemanha (Baden) e na França (Alsácia), produz vinhos com acidez elevada e teor alcoólico baixo, aromas delicados e florais.Os melhores riesling são encontrados na Alemanha.

Países: Alemanha, Áustria, Austrália, Nova Zelândia, França (Alsácia) e EUA.

Harmonização: comida alemã, como salsichas, batatas souté, carré de porco, kassler, chucrutes, maionese de batatas e arenque. Saladas, queijos amarelos, frios, cogumelos, salmão fresco ou defumado e aspargos.

Sauvignon Blanc: Apresenta acidez aguda e aromas frutados. Uva de ótima qualidade, também é comparada a chardonnay.

Países: França (Loire, Bordeaux), Nova Zelândia, Chile, Áustria e África do Sul.

Harmonização: peixes, ostras, carne branca, pratos simples e saladas.

Fonte:http://www.minhavida.com.br/conteudo/1099-Isso-sim-e-vinho-bom.htm?utm_source=news_mv_receita_f&utm_medium=09_12_28&utm_term=destaque&utm_content=2utm_campaign=vinho